Eu, o tempo e uma feijoada de cogumelos.



Sinto sempre uma leve irritação, aquela espécie de arrepio atrás do pescoço, quando varia o tempo e toda a gente se sente na necessidade de o referir. Como se a mudança das estações fosse algo que merecesse ser comentado e sublinhado, referido vezes sem conta até que toda a gente perceba que sim, está a chover lá fora e sim, no verão faz sol. Mas isso sou eu que colecciono embirrações qual filatelista movido a hipertensão. 


Porém, não deixa de ser verdade que a mudança de estações obriga a que tenhamos outro tipo de cuidados com a alimentação. Para começar, os ingredientes mudam e quem come sazonalmente sente logo aí a diferença. Nas minhas últimas idas ao mercado venho de lá carregada com muito verde escuro e pouca fruta. É uma tristeza para quem, como eu, não se perde de amores por peras e maçãs. Mas gosto dos dióspiros, das romãs e das uvas que só encontro nesta altura, tal como aprecio as acelgas, as  abóboras e tudo o que me obrigue a ligar o forno e a passar mais tempo à beira do fogão. Gosto de refeições mais reconfortantes, que aqueçam as mãos e a alma e agora que já usei todas as palavras associadas a este tipo de publicação típica da chegada ao outono sinto que posso finalmente falar de outras coisas.

Já viram quem vai à frente no campeonato, completamente isolado?? :)))


Agora que perdi mais 20 seguidores posso finalmente apresentar aos restantes, fiéis e sempre bem vindos à minha mesa, esta minha adaptação de uma receita da Cozinha vegetariana para quem quer poupar da Gabriela Oliveira. Continuo a tentar privilegiar os meus livros de cozinha na hora de planear as refeições semanais (em breve perceberão a que me refiro) e a tentar não encher a minha casa com mais tralha. Sinto que os que cá moram estão um bocadinho sub-aproveitados e, como tal, tenho-me dedicado a explorá-los com mais atenção antes de adquirir novos ou a procurar mais receitas online. É que, admitamos: com apenas um estômago, a morar num T1 em Lisboa que partilho com um marido e três gatos e tendo eu uma esperança média de vida a rondar os 80 anos, não há espaço para muito mais. 


Feijoada de cogumelos pleurotus e kale


1/2 curgete
100g de cogumelos pleurotus
2 folhas grandes de kale
azeite
2 dentes de alho
1 folha de louro
2 chávenas de feijão encarnado (de véspera demolhar o feijão seco com alga kombu e cozer cerca de 30m com louro e 2 alhos esmagados)
1 chávena da água de cozedura do feijão
cominhos, colorau e sal qb
coentros picados para servir

Cortar a curgete longitudinalmente e depois em cubos. Passar os cogumelos por água rapidamente e cortá-los em fatias grossas. Separar e rasgar as folhas de kale, depois lavar bem em água corrente.
Aquecer uma panela com azeite e refogar aí a curgete, os alhos e o louro. Quando a primeira estiver alourada adicionar os cogumelos e a kale. Temperar com sal e especiarias e adicionar o feijão. Colocar uma chávena da água de cozedura do feijão, deixar cozinhar uns minutos e depois adicionar o resto da água. Deixar cozinhar em lume brando até que todos os ingredientes estejam bem apurados. Servir polvilhado com coentros picados.


Comments

  1. Raramente como feijoadas, gostei muito desta , tanto pelos ingredientes como o aspecto.

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  2. Eu gosto de feijoada embora não seja um prato muito comum cá em casa.
    Mas a tua ficou com um aspecto verdadeiramente delicioso! E com essas imagens isso depressa se destaca ;)
    Um beijinho!
    Cláudia L.
    Histórias & Aromas 🌻

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    1. esta, apesar do feijão, é bem mais leve porque não leva carne ou enchidos. espero que gostes se experimentares esta receita.

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