Cinco anos e um bolo de iogurte e laranja.


Ai que este blogue às vezes cansa-me. Muitas vezes é uma excelente companhia, especialmente pela oportunidade que me tem dado nos últimos anos de explorar vários temas e de escrever sobre eles sem o jugo de qualquer tipo de editor ou compromisso (às vezes nem o bom senso serve de censor). Gosto da ideia de que aqui posso ser livre, que é um espaço onde posso expor o que quero e como quero. Mas a verdade é que às vezes cansa-me um pouco, sobretudo que esteja tão associado à questão das receitas saudáveis. Fico com alguma pena de quem aparece por aqui apenas com essa intenção e não chega a ler o que escrevo na introdução, mas pronto, cada um é livre de vir cá tirar a fatia que mais lhe agrade. Aliás, eu ponho-me na vossa posição e quando pesquiso, por exemplo, por bolo de iogurte e laranja é isso mesmo que quero ver e pouco mais. Não quero ler sobre os dramas e neuroses de terceiros, para isso bastam-me os meus. Porém, não me vejo a escrever por escrever ou a atirar receitas cá para fora só para encher chouriços (no pun intended). Acho que é esta a identidade do blogue e assim se manterá, pelo menos de acordo com os meus planos.

Acho que este espaço tem muito de bom para dar no futuro, se me for dada a oportunidade de continuar a desenvolvê-lo. Isto significa conseguir equilibrar tempo, vontade, investimento e originalidade. Sem qualquer um destes pilares o blogue não tem sentido continuar, mas todos eles são frágeis e quebradiços. Tenho conseguido mantê-los, umas vezes melhor, outras pior nos últimos cinco anos e por isso acho que vale a pena celebrar este aniversário. Sim, dia 25 este blogue fez cinco anos e aqui podem ler o primeiro post.

Não sou uma grande empreendedora nem ligada a modas, o que complica progressos meteóricos como os que às vezes vejo por aí. Não pretendo viver do blogue, não o quero desmembrar em vários produtos, nem fazer parcerias duvidosas. Não quero representar marcas, já recusei algumas que poderiam catapultar-me para outros voos se me identificasse com a sua filosofia. Simplesmente, acho que isso não sou eu. Sou outra coisa qualquer, talvez mais uma observadora do que uma empreendedora. Tenho mais do que 10 tshirts cinzentas, foco e desfoco-me de vários temas ao mesmo tempo, não tenho um plano definido do que gostaria de fazer com a minha vida (nem preciso de um coach que me ajude nesse sentido), sou de emoções voláteis e de decisões fracturantes. Mas no fundo, no que é importante, sei bem o que me define, simplesmente não me determino por explicações populares de sucesso e de integração. Ou se calhar nem é esse o meu objectivo. Gosto mais de pensar em mim como uma daquelas minas que alguém deixou para trás no campo de batalha do que como um míssil certeiro de longo alcance. Com as minas nunca se sabe quando vai explodir, mas o estrago é sempre considerável.

No meu antigo emprego o presidente costumava dizer "A Joana não responde antes de ler três artigos sobre esse tema". O intuito era gozar comigo, mas no meu coração espero que houvesse algum carinho e respeito pela minha necessidade em pensar e informar-me antes de falar. Curiosamente, se há coisa de que muita gente me acusa é de ser imediatista e impulsiva. Aliás, se me vissem a jogar percebiam logo que não sei guardar um bluff. Isto aplica-se desde a Sueca - quando me calhavam os melhores trunfos e esbugalhava os olhos de prazer informando logo os outros jogadores das minhas cartas - ou no Monopólio -  quando fazia investimentos arriscados que, após me levarem à bancarrota, me faziam também zangar-me com os restantes presentes à volta do tabuleiro antes de me retirar furiosa para os meus aposentos. Como uma moeda, tenho as duas faces. Todavia, a minha ausência de identificação com muito do que me rodeia leva-me a pensar que me aproximarei mais de uma desactualizada de 200 escudos do que das contemporâneas de 1 euro.

Seja como for, obrigada por estarem desse lado há tanto tempo. Vamos celebrar com uma fatia de bolo e esperar que os próximos tempos nos reservem bons momentos todos juntos? Continuem a voltar, hão-de haver sempre surpresas. Mas se não vos apetecer, não fico magoada também. Se fosse eu já me teria cansado.


Bolo de iogurte e laranja


~ Ingredientes ~

2 ovos biológicos
1 copo iogurte coco Joya da Origens Bio
1/2 copo do iogurte de sumo de laranja 
raspa de uma laranja
1 copo leite de arroz Joya da Origens Bio 
2 copos farinha trigo biológica
1 copo farinha de trigo integral
1 copo acúcar de tâmaras
2 colheres chá de bicarbonato de sódio 

Ligar o forno nos 180º graus e untar uma forma de bolo inglês (eu uso de silicone, o que dispensa untar).
Bater os ovos até que fiquem espumosos e adicionar o iogurte. Bater um pouco mais juntamente com o açúcar. Adicionar os líquidos e a raspa de laranja. Misturar bem e seguidamente adicionar os ingredientes secos peneirados. Levar ao forno por 40m ou até que o bolo esteja bem cozido.



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Comments

  1. Cinco é um número muito bonito (é o meu número preferido,lolol). Muitos parabéns, atrasados, por sinal. Sou uma fã incondicional do teu blog, fico contente de cada vez que publicas porque para além das receitas , adoro a maneira como escreves. A forma como vês as coisas de uma forma realista e como se diz no Alentejo "chamas os bois pelos nomes", és cá das minhas ;)
    Continua sempre aí desse lado, mesmo que de uma forma intermitente, és uma lufada de ar fresco! Abraço

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    1. obrigada sara! gosto muito de escrever para ti e para os outros que perdem uns minutos do seu dia para visitar as aventuras do meu. também és uma lufada de ar fresco e originalidade (acabei de ver a tua vianetta vegan e saudável!!). beijinho

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