Um bolo de banana e uma reflexão sobre os homens na cozinha #7


A minha rotina de domingo à noite é, no mínimo, aborrecida. Pergunto ao meu marido em que dias janta em casa (algo que, com o seu volume de trabalho actual torna a assiduidade à hora da refeição muito difícil de prever) e organizo as refeições da semana em função disso. Agora que reli as palavras que acabei de escrever deu-me um assomo de feminismo "mas porque é que esta tarefa me calha a mim e não a ele?!". Confesso que se há tema que me faz confusão e que cria discórdia cá em casa é uma suposta atribuição cultural dos papéis a desempenhar no lar. Por outras palavras, eu cozinho e ele come. Porém, a verdade é que embora eu seja 150% contra a ideia de que a mulher é que deve tomar conta da casa e que naturalmente somos mais maternais e cuidadoras (no sentido lato das palavras), também sinto que seria imbecil não atribuirmos as tarefas em função das nossas apetências. Ora, se eu gosto de cozinhar e sou uma pessoa por defeito organizada, porque não ficar eu com estas tarefas? Ele fica com outras e, desde que não se esqueça de quais são, por mim fico feliz e contente com esta fatia do bolo (se bem que em termos de fatias de bolos, na verdade quantas mais para mim, melhor... :D).

A raiz deste problema muitas vezes já vem de trás, da educação que é dada pelas mães em casa aos filhos, e este senhor que me calhou foi demasiado protegido nesse sentido. Poderia ficar aqui o dia todo a queixar-me do impacto que a visão piagética do mundo partilhada pela minha sogra com as empregadas lá de casa - e que deixaram o meu marido numa posição eterna de "Menino Manelinho"... -, mas não compensa a subida da tensão arterial. Convém ter alguma paciência para determinados comportamentos mal aprendidos e valorizar todas as iniciativas de distribuição equilibrada das tarefas cá em casa. E, quando isso não resulta, posso sempre calçar os ténis e sair para correr e arejar as ideias. Sim, porque dar-lhe com um tacho na cabeça é demasiado à Estado Novo.

Dizia-vos pois que ao domingo a minha preocupação passa por organizar o melhor possível as refeições cá em casa, obrigando-me a dar uma vista de olhos pela dispensa e pelo frigorífico. Geralmente tenho sempre leguminosas e cereais a demolhar e privilegio os alimentos que se encontram mais perto do fim do prazo. Alerto o "Menino Manelinho" para os iogurtes que necessitam de ser comidos, relembro-o do pão que deve ser usado em torradas ao pequeno almoço e espreito para dentro do frasco da granola confirmando se ainda há. A taça da fruta também é alvo de vistoria. Algumas peças são usadas em compotas sem açúcar para adicionar às papas de aveia, outras são congeladas. Se ligar o forno aproveito para fazer um bolinho (os da Maria João são os que mais gostamos cá em casa :p) e muitas vezes as bananas mais escuras têm esse destino. Em alternativa, congelo para no verão encher a cara de gelados saudáveis! Os bolos que faço cá em casa têm de obedecer a determinados critérios: receitas interessantes que encontre, os ingredientes que tenho cá por casa a necessitar de ser utilizados mais rapidamente e uma ou outra alteração que os torne mais saudáveis. Por norma corto sempre na farinha de trigo com a versão integral ou utilizo outra mais completa, troco o adoçante por açúcar de côco, de tâmaras ou mascavado... enfim faço sempre algumas adaptações se puder. 

A receita que nos traz hoje o nosso convidado do blogue Na Cozinha com RJ tem presente esses dois pilares que considero importantíssimos numa vida equilibrada: um homem na cozinha e um bolo saudável, evitando o desperdício de bananas demasiado maduras. Ora, não me interpretem mal, suas malandras! Acredito que tendo inclinação e motivação para cozinhar, tanto homens como mulheres devem poder escolher as tarefas do lar com que mais se identifiquem e aí investir. E também acredito que deitar comida ao lixo é crime, por isso toca a utilizar as bananas mais maduras que adoçam lindamente qualquer bolo sem necessidade de mais. Se quiserem aproveitar até ao limite uma banana - oh pá, vá lá... - têm aqui uma receita da Sardinha fora da lata de hambúrguer feito à base da casca deste fruto. Confesso, só não experimentei ainda porque utilizo a casca como fertilizante na minha mini-horta de varanda, mas de resto tenho imensa curiosidade. Entretanto espreitem a receita do RJ e digam-me se não ia já uma fatia deste bolo tão fácil de fazer... 


Se quiserem também participar neste desafio, poderão fazê-lo. Enviem-me um email para lim.edition2012@gmail.com e guardo-vos um espaço no calendário. Se reproduzirem nas vossas cozinhas alguma das propostas aqui apresentadas, utilizem o #desafioreceitasaudável e partilhem connosco as vossas versões e interpretações para que todos possamos contribuir para um estilo de vida mais saudável que passa pela comida, mas não se esgota nela.


Comments

  1. Obrigado!
    Foi um prazer fazer parte deste projeto.
    Vou ficar atento às próximas participações.
    Cumprimentos,
    RJ
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    1. Obrigada pela tua participação e por esta receita tão versátil!

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  2. Fartei-me de rir (mais uma vez) com o teu post. Tens a certeza que não somo irmãs? estava a ler o que escevias e pareciam palavras minhas :D
    E a receita é óptima, daquelas para ter sempre à mão.
    Beijinhos

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    1. ahahah! nesta e em muitas outras coisas somos parecidas! os homens sabem bem escolher-nos! :p

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  3. Obrigado, Sara!
    A receita é um sucesso cá em casa :-)
    Cumprimentos,
    RJ
    NaCozinhaComRJ.com
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  4. Opá, o que já me ri :)
    Com o menino Manelinho e com as bananas!
    E adorei a receita, quero ver se a faço um dia, embora em minha casa toda a gente adore comer bananas mega maduras e quase nunca sobram para os meus cozinhados. Beijoca.

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    1. aqui não, ou vão para o congelador ou seguem para bolo que quando estão muito moles já ninguém lhes pega (LOOOL) :p

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    2. Obrigado, Inês!
      Aqui é ao contrário. Quando chegam a esse ponto são logo encaminhadas para umas barras de cereais e banana ou este bolo.
      Cumprimentos,
      RJ

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