A segunda edição do desafio receita saudável!



Há uns dias atrás lancei o repto e fiquei muito contente com a vossa adesão! Vamos então dar início a mais um #desafioreceitasaudável!! Fico tão contente quando vejo pessoas motivadas para um estilo de vida mais saudável e equilibrado, mas que também se preocupam em partilhar com os outros o que as faz sentir bem, que escrevi tanto e vou publicar isto em duas partes. 

Hoje vou explicar-vos quais as regras que sigo para tentar ter uma vida mais saudável, regras essas que se aplicam não apenas à minha alimentação, mas de um modo mais geral. Estes são os meus princípios, os vossos podem ser diferentes.

Depois de uma longa ponderação sobre qual a melhor maneira de vos transmitir o que considero ser mais importante, resumi-o em 10 pontos essenciais, os quais passo a explicar de seguida. Sabem que a brevidade não é uma das minhas principais qualidades - eu culpo os meus pais! - por isso respirem fundo e tentem acompanhar-me enquanto me alongo sobre cada um dos tópicos acima. Se estes vos inspirarem nas vossas participações no desafio, fico muito feliz. Expliquem-me como é que o ponto 1, 5 ou 7 se aplica na vossa vida, como se relaciona com um episódio da vossa história de vida ou como vos levou a reflectir sobre mudanças que gostariam de implementar daqui em diante.

Outra coisa, o facto do texto estar sob a forma de lista também ajuda a que, caso alguém queira copiar as minhas ideias e chamá-las de suas, consiga orientar-se melhor no texto. No fundo, o meu objectivo é ajudar-vos e inspirar-vos. 

Vamos então a isto!


1. INFORMAÇÃO: Para mim, que leio tudo o que me passa à frente com avidez, desde livros a ebooks, passando pela internet inteira antes de adormecer ao rótulo da pasta de dentes, informação é poder e jamais poderia outra atitude ocupar o lugar cimeiro desta lista de "10 mandamentos para uma vida (relativamente mais) saudável". Se acompanham o facebook do blogue sabem que partilho com frequência artigos informativos e de opinião sobre alguns temas que aparecem com maior destaque aqui debatidos: alimentação, nutrição, exercício físico... Isto porque antes de tomar qualquer decisão, eu informo-me. Participo em grupos onde são debatidas ideias (por vezes com alguma violência desnecessária...) e onde aprendo bastante. Inscrevo-me em workshops para actualizar os meus conhecimentos e aprender novas técnicas. Além do que leio, vejo documentários, excepto aqueles em que os animais são chacinados em matadouros e eteceras porque esse tipo de imagens me causam tantos pesadelos como o "Blair Witch Project". Isso não significa, porém, que não saiba exactamente o que lá dentro se passa nem que seja "daquelas que preferem não saber", como uma vez uma certa pessoa que lê este blogue me acusou de ser. Todas as alterações que faço são precedidas de pesquisa e recolha de informação, as receitas são testadas e só depois de passarem pelo meu exigente crivo são aqui publicadas. As alterações que faço na minha vida são postas à prova no meu dia a dia, não correspondem a um estilo de vida ideal que projecto como sendo o meu, mas que na realidade não corresponde à verdade. E uma vez bem justificada cada uma destas decisões, é impossível voltar atrás. Como sabem, informação é poder. Não deixem que ninguém decida por vocês.



2. CONSCIÊNCIA: Esta é mais recente e surgiu no seguimento da prática da meditação que iniciei há uns meses atrás. Eu sou daquelas pessoas que medita nos dias úteis. Não sei se estão familiarizados com o conceito, mas provavelmente não porque acabei de cunhá-lo. Basicamente de segunda a sexta esforço-me por incorporar 20 minutos de meditação na minha agenda - literalmente, eu coloco a meditação na minha lista de to-dos e obrigo-me a fazê-la mesmo naqueles dias em que me apetece tudo menos inspirar, expirar and let it go. Sábado e domingo descanso. E como a prática faz o monge, sendo que o senhor que me guia a meditação é mesmo ele um monge budista, esta regularidade permite que pequenas alterações sejam praticadas nos 20 minutos que dura a meditação e depois incorporadas no dia a dia. Assim, o despertar da consciência (esta afirmação não é nada new age... qualquer dia estou a reciclar as sandálias, como diz o meu marido...) que é treinado naqueles minutos é depois também extrapolado para outras áreas da minha vida e consequentemente incorporado. Assim, uma maior consciência em relação a tudo o que me rodeia permite que as escolhas que faço, na alimentação e não só, sejam posteriormente devidamente assimiladas. Estas podem não ser as escolhas que concordam com o vosso estilo de vida, mas são aquelas que mais sentido fazem para mim.



3. MENOS É MAIS: Um dos blogues que mais gosto de ler e do qual já partilhei alguns artigos no facebook é o No Meat Athlete. Acho que o título é auto-explicativo... O Matt Frazier já correu uma série de maratonas e ultramaratonas, o que só de pensar na ideia já me deixa cansada. No artigo The secret to healthy, stress free eating, ele explica como durante o seu book tour descobriu que comer de uma maneira saudável é muito mais fácil do que supunha. Alimentando-se essencialmente de bens não perecíveis (fruta e vegetais frescos, húmus, smoothies...) durante uma altura muito caótica da sua vida, chegou à conclusão que refeições super elaboradas e dispendiosas não são o segredo para uma alimentação nem vida saudável (lá está, adição de stress desnecessário = menos saúde...), mas que menos é mais. Esta sua abordagem minimalista acabou por reduzir o tempo que passa na cozinha (o surgimento de duas crianças pequenas na sua vida também...) e levou-o a reduzir a preparação das refeições ao mínimo possível, com o máximo proveito: "Fruits. Vegetables. Beans. Raw nuts and seeds. Whole grains. And little or no added oils." Ainda estou a trabalhar para chegar a este ponto, mas acredito que seja problema meu e não da ideia em si. Quanto mais gosto de pesquisar sobre comida saudável, mais ingredientes e receitas diferentes pretendo experimentar. Cada vez me dá mais prazer cozinhar porque o faço com um propósito definido. Mas a base, essa, é a que o Matt aponta como a fórmula ideal para nos alimentarmos. E se um super atleta vive bem com o essencial, andamos nós a inventar tanto porquê?


4. QUANTO MAIS NATURAL, MELHOR: Bom, esta é dolorosa de explicar. Quem teve a infeliz ideia de enfiar comida em caixas e começar a criar listas de ingredientes, não poderia querer o nosso bem. Alimentos processados que destroem o nosso microbioma, que basicamente nos adoecem a cada garfada... A minha sugestão é esta: sábado de manhã peguem em vocês, no marido sonolento e nas crianças, levem-nas a passear ao mercado biológico. Comprem directamente aos produtores, aqueles que deram às galinhas que põem os melhores ovos um autocarro da escola para viverem à vontade, que conhecem a história do cultivo dos feijões que vocês levam a granel para casa, que explicam que as cerejas este ano vieram todas bichadas e por isso passaram a noite a catá-las para trazer apenas as melhores... É preciso dizer mais ou a partir daqui continuam vocês?...

5. CORPO E MENTE: Aqui vai uma lição de História. Era uma vez um senhor chamado René Descartes que há muitos e muitos anos atrás se enganou quando separou o corpo da mente e a partir daí tudo o que se seguiu veio enviesado. Graças a Deus (perceberam a piada?) muito tempo depois o português António Damásio editou um livro (e depois outro e mais outro) onde corrigiu esse filósofo: corpo e mente foram criados em conjunto e interferem nos processos um do outro. As neurociências vieram confirmar o que os antropólogos já discutem há algum tempo e não há maneira de ninguém me convencer que o dualismo corpo/mente traga algo de positivo. Chamem-lhe um gut feeling.

6. ORGANIZAÇÃO: Vamos voltar uns pontos atrás. Recolhida a informação, os ingredientes naturais e fazendo tudo em consciência, precisamos de tempo para nos organizar. É como diz a minha querida Bela Gil: "Arranje tempo para se envolver no processo de cozinhar, prioritize a sua saúde e um futuro tranquilo." Acho que quem nos pôs a comida em caixas já sabia que andamos todos um bocado à toa nesta vida e no fundo estava cheio de boas intenções: só nos quis facilitar, mas já se sabe do que o inferno está cheio... Sabem os blogues da Joana Roque, Para cozinhar e A economia cá de casa - dos meus favoritos e que sigo desde os tempos do ADSL - onde ela sempre promoveu a importância de cozinharmos em casa, em que a organização é a chave e blá blá blá... Pronto, uma vez apanhei uma discussão qualquer em que lhe atiravam à cara que ela tinha era muito tempo livre e devia pensar que toda a gente era como ela... Enfim, a crème de la crème do mundo dos comentários anónimos nesta era em que as pessoas se escondem atrás dos seus ecrãs para desbaratar. Como é óbvio que a senhora tem mais o que fazer do que cozinhar, tomar conta de uma casa, desenvolver o seu negócio na internet e tomar conta de filhos, como isso fosse pêra doce. Penso que estes são empregos que chegam. Porém, ela claramente sempre deu prioridade no seu tempo ao que considera importante e fez isso com base em organização. E para a Joana Roque importante é ter a casa organizada, a família bem nutrida e tudo o resto vem a seguir. Cá em casa, onde se comem leguminosas e cereais com fartura, há que haver organização nas demolhas e nas quantidades que depois se cozinham e congelam. Fazemos de uma alimentação saudável uma das prioridades cá em casa e o resto vem depois. Se não têm tempo para isso... bom, arranjem-no. A minha caixa de comentários está aberta para os vossos disparates. Mentira, os comentários estão moderados que eu tenho mais o que fazer do que educar infantes.

7. CADA CASO É UM CASO: Sabem aquela fórmula perfeita de saúde que nos vendem como se uma alimentação saudável fosse uma coisa e só uma? Bom, é mentira. Eu acredito que cada um de nós tem a sua fórmula e gosto de pensar que, se não fizer mais nada de útil com este blogue, que vos inspire a procurar e a encontrar a vossa fórmula. Há princípios gerais, claro, mas cada um de nós deve saber como é que estes se incluem nos seus objectivos e estilo de vida. Tentar seguir cega e acriticamente um modelo que julgamos perfeito (selfies no ginásio, treinar 20 vezes por semana, comer só alimentos "do bem" e publicar fotos tiradas apenas em restaurantes de comida saudável...) não abona em nada a favor da nossa saúde. Sugiro que se informem, organizem e defendam a vossa interpretação de vida/alimentação saudável com unhas e dentes. E se vos chamarem de gordas, comam-nos a eles também.

8. SABER DIZER NÃO: Esta não se aplica tanto à alimentação, não quero criar a ideia de que há alimentos pecaminosos (já falámos disto aqui várias vezes, pesquisem). Comida suja é a que cai ao chão. Mas se tiverem fome, sacudam que a regra dos 3 segundos ainda se aplica depois de saírem da primária. Aqui referia-me a todos aqueles momentos em que mordemos a língua e optamos por evitar dizer "não". Isso obriga-nos a viver e reviver situações com as quais não nos identificamos, que nos humilham e degradam. Relações, trabalhos, compromissos que se arrastam quando no fundo já sabíamos que o caminho era outro que não aquele. Situações que empurram uma vida saudável e equilibrada anos para a frente do que o que desejaríamos. Não é porque algo se assumiu como autoritário (como por exemplo acharem que precisam de comer carne para viver porque foi assim que foram educados...) que, se em vocês acharem que não é o correcto, devem continuar a fazê-lo. Se não me engano foi José Saramago que disse:




9. FLEXIBILIDADE: O melhor das regras? Poder quebrá-las. Eu tento ser o mais organizada possível, mas se às vezes as coisas descambam, não me faz muito sentido martirizar-me perpetuamente porque falhei. Acredito que se em 80% do meu tempo e esforço estiver focada, já é muito bom. Tudo o resto vem por acréscimo e faz-me mais sentido ter uma alimentação e um estilo de vida que me permita ajustar, aproveitar o momento e umas bolachinhas. Caso contrário, que sentido faz tudo isto?

10. MENOS DESPERDÍCIO: A praga dos frasquinhos cá de casa, como o meu marido lhe chama, começa finalmente a dar frutos. Já há cada vez mais sítios onde podem comprar levando os vossos próprios recipientes, como a Maria a Granel, por exemplo. Já sabemos que a solução não passa por reciclar, é importante reduzir e muito o nosso lixo. Aproveitar as cascas dos legumes para fazer caldos, as sementes para snacksutilizar ingredientes que compramos não apenas na cozinha, carregar connosco sempre um saco para evitarmos recorrer aos de plástico vendidos nas lojas... O segredo é a sustentabilidade, criar um futuro com que nos identifiquemos e que nos comprometa com a ideia de que este planeta não é nosso para o usarmos e deitarmos fora, tem de ser respeitado. Ainda para mais  agora que as alterações climáticas passaram de facto a mito, mais sentido faz sentido cada um dos nosso actos individuais. Para mais dicas essenciais, consultem o blogue da Ana, Go Slowly

E como a conversa já vai longa, a minha receita com a aplicação prática do que acima foi tratado sai daqui a dois duas no blogue. Entretanto espero que esta minha não-tão-breve explicação vos inspire e que se inscrevam também no desafio para que possamos todos aprender uns com os outros. Enviem um email para lim.edition2012@gmail.com ou deixem um comentário nesta publicação.

Até já!!



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Comments

  1. Bom dia!
    Gostava imenso de me inscrever no desafio.
    Como devo fazê-lo?
    Muito obrigada.
    Maria

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    Replies
    1. olá maria! claro que podes participar! envia email para lim.edition2012@gmail.com para te colocar no calendário e explicar o procedimento. beijinho

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  2. Adorei ler este post :)
    Não li nada que não soubesse a teu respeito, tendo em conta que acompanho o teu blog e facebook há tanto tempo, mas é bom conhecer-te mais a fundo. :)
    Não consegui ver nenhum ponto com o qual discorde, de facto não poderia explicá-los melhor (ainda bem que não és sucinta).
    Continua, vives a vida de uma maneira muito bonita :)
    beijinhos

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    1. Obrigada, querida Sara! Tu também és uma grande inspiração para mim: do pequeno almoço, aos bolinhos, passando pela tua tenacidade em mostrar que o mundo pode ser simultaneamente doce e saudável.
      Acima de tudo o que quis transmitir - e como dizes, é o que transparece na maneira como vivo - é que não nos podemos deixar levar pelas modas, mas devemos construir o que para nós são as relações mais positivas com o corpo e com a comida no dia a dia. E isso vale tanto para o que usamos para nutrir o corpo, mas também a mente, se é que por segundos ouso separá-los. ;)
      Beijinho

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