Wednesday, 22 February 2017

As panquecas da mãe e do pai #4

Tenho alguma dificuldade em escrever sobre uma realidade que não é a minha, por isso desculpem-me se por acaso disser aqui alguma barbaridade. Tudo o que vem a seguir decorre da minha observação e nunca da minha observação-participante. Não há ditado mais acertado do que "éramos todas boas mães até termos filhos."

Muitas vezes sinto que as minhas amigas já mães, ao darem prioridade aos cuidados dos filhos, acabam por se esquecer de si mesmas. Como se cuidarem de si fosse secundário face a cuidar daqueles que amamos. Claro que uma criança - ou duas, ou três - necessitam de tempo e disponibilidade que obrigam a reorganizar prioridades, mas parece-me impossível que alguém consiga garantir o bem estar de terceiros se não estiver bem consigo própria.

Alguém que, na minha opinião, valorize uma alimentação baseada em comida a sério, ingredientes naturais e integrais, que respeite o seu corpo (os seus ciclos, as suas idiossincrasias, a sua capacidade de gerar vida) e se esforce por dar o melhor a si mesma, dará certamente o melhor aos outros. Com equilíbrio claro, deixando de parte a ideia de que a abnegação total é a fonte da virtude e lembrado sempre que há fases e fases na vida. Que não temos de ser perfeitas, mas que se dermos o nosso melhor e soubermos ser meigas com as nossas expectativas, tudo está encaminhado para o sucesso.

Posso não saber muito sobre maternidade, mas sei que gostava de um dia vir a ser uma mãe como a Joana, que estendeu a sua aprendizagem sobre uma vida saudável e equilibrada ao cuidado que tem consigo e com o seu bebé. Para conhecerem a receita destas belas panquecas crocantes de milho, espreitem o blogue desta Rapariga Moderna.


Se quiserem também participar neste desafio poderão fazê-lo. Enviem-me um email para lim.edition2012@gmail.com e guardo-vos um espaço no calendário. Se reproduzirem nas vossas cozinhas alguma das propostas aqui apresentadas, utilizem o #desafioreceitasaudável e partilhem connosco as vossas versões e interpretações para que todos possamos contribuir para um estilo de vida mais saudável que passa pela comida, mas não se esgota nela.



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Monday, 20 February 2017

One Bowl Meal a caminho dos OSCARES!


Já ao tempo que andava com vontade de confirmar se seria mesmo verdade o que em 1979 os The Buggles juravam a pés juntos: "Video killed the radio star". Acho particularmente interessante a ironia de ter sido este o videoclip a inaugurar a primeira emissão da MTV Americana, como que antecipando e anunciando a influência que a imagem viria a ter nas transmissões radiofónicas. E como seria nos dias de hoje? Será que o vídeo poderia aniquilar a blogsfera? Vamos testar essa hipótese. 

Hoje apresento-vos, em parceria com a minha querida Joana (aka Rapariga Moderna) e com a Agência Fora de Pé, a minha primeira receita em vídeo. A verdade é que já trabalhara com esta equipa no projecto Cozinhados de Fresco e é sempre um prazer emparelhar esforços com gente divertida e laboriosa. Por isso, quando a Joana nos propôs realizar um vídeo para o seu canal de youtube com uma receita vegetariana e saudável, pusemos mãos à obra. Nada de cara que é para não vos assustar. Tudo mãos. 

O formato é bastante simples, mas completo. Não precisam de muitos instrumentos nem de ingredientes, só os suficientes para confeccionar uma receita rica, colorida e que, como afirma a nutricionista McKel Hilll, fundadora do Nutrition Stripped e em quem me inspirei, 

"It's a delicious no-fuss one-bowl meal that is rooted in celebrating food as food."
(McKEl Hill, Nutrition Stripped - 100 Whole-Food Recipes Made Deliciously Simple, 2016:195)

Enquanto Mckel lhes chama "Buddha's Nourish Bowl" ou Macro Bowl, outros autores, como por exemplo Joana Alves do blogue Le Passe Vite, prefere o termo "Rainbow Bowl". Em comum têm a magia de conseguirem, em apenas uma taça, concentrar todos os macronutrientes em partes que garantam o aporte nutricional necessário. E mais uns extras.

Para compor a minha versão adaptei as receitas inspirando-me nas duas autoras acima mencionadas para garantir a presença de hidratos de carbono complexos, legumes, verduras, gorduras saudáveis, proteína (que não se encontra apenas nos cogumelos...), pickles e um vinagrete delicioso. 

Espero que gostem, partilhem e vos inspire a criar refeições completas em poucos minutos!


Até breve! ;)




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Friday, 17 February 2017

Sair da zona de conforto nuns flatbreads de batata doce.



Todos os meses a Carla, nutricionista do Nutrição Feminina, lança o desafio: uma receita saudável, sem glúten nem lacticínios. O tema varia e já puderam ver as minhas participações nestes pãezinhos de abóbora, numas espetadas de cogumelos e nori chips para a entrada da ceia de Natal e numa pumpkin pie soup. Pode parecer fácil porque eu faço tudo soar facílimo, mas a verdade é que qualquer desafio me obriga a puxar pela cabeça. E a verdade é que de cada vez que saio da minha zona de conforto fico mais feliz com o resultado. Nunca na vida teria chegado às sugestões que trouxe aqui para o blogue ou para o site da Carla se ela não tivesse exigido um pouco mais de mim. 

Este mês pediu-nos (a mim e à Susana do Basta Cheio que também tem uma receitas deliciosas de lamber o ecrã do computador) uns pães. Muita gente foge do pão quando pretende mudar para uma alimentação saudável ou porque quer perder peso. Eu fujo um bocado a esse tipo de extremismo, para ser sincera. Acredito em tudo com moderação, mas não acredito que pão processado feito com farinha refinada me traga bem algum. Percebem a diferença? 

Desta vez quis trazer um pão diferente e como andava de olho nestes flatbreads e sou a fã número um de batata doce (ai de quem achar que me destrona!!) perguntei à Carla se estaria interessada nesta minha reinterpretação de uma receita clássica. Mudei o tipo de farinha à publicação original para chegar a uma versão sem glúten e pus mãos à obra. Mal saíram os pãezinhos do forno pensei para mim mesma "Já fizeste asneira, parecem calhaus.". E depois provei-os. São absolutamente espectaculares. Daquele tipo de espectacular que nem sequer dei a provar ao meu marido e se mais houvesse, mas teria comido. 

Por isso o meu conselho é: saiam da vossa zona de conforto. Experimentem coisas novas. Não temam em arriscar. Quem sabe do outro lado do túnel estarão estes deliciosos flatbreads à vossa espera.
  

Flatbreads de batata doce 

receita adaptada do blogue Lisa's Kitchen 

~ Ingredientes ~

1 batata doce grande (220g) assada
1/2 cup de farinha de arroz
1/2 cup de farinha de trigo sarraceno
1/4 de colher de chá de sal
1 colher de chá de cominhos moídos
1 pitada de piri-piri moído
1 colher de café de açafrão das índias 


Ligar o forno nos 200º. Embrulhar a batata doce em papel de alumínio e assá-la cerca de 30m ou até que esteja mole. Deixar arrefecer e retirar a pele. Esmagar com um garfo ou outro utensílio. Numa tigela grande à parte misturar os restantes ingredientes. Juntá-los à batata doce e seguidamente trabalhar a massa, a qual deve ficar mole e elástica o suficiente para permitir moldar as bolinhas sem colar às mãos. Se for preciso, adicionar mais um pouco de farinha ou água. Moldar 6 bolinhas, achatá-las e levá-las ao forno a 180º num tabuleiro. Assar por 20m, virando a meio do tempo. 


Tempo de preparação: 60m
Dificuldade: fácil
Serve 3

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Wednesday, 15 February 2017

Trufas de cacau e amendoim #3.


Um dos aspectos que considero mais importantes quando se pretende adoptar uma vida saudável e equilibrada - e não me refiro apenas à alimentação - prende-se com a informação. Não é por acaso que coloquei este ponto no topo dos meus 10 mandamentos para uma vida (relativamente mais) saudável. Eu acredito e hei-de morrer a acreditar que informação é poder. Não sabermos equivale a delegar esse poder na mão de terceiros e deixar que eles decidam por nós. Isso comigo não resulta. Claro que ter acesso a informação implica tempo e investigação, mas sempre que alguém me diz que não tem disponibilidade, que a correria diária as impede de ter um pequeno almoço nutritivo ou de tirar alguns minutos para fazer exercício, penso na lista de prioridades de quem se queixa disto e de não se alimentar correctamente. Não percebo também porque as pessoas perdem tanto tempo a lamentar-se e tão pouco a agir, sendo que o gasto de energia é igual, mas pronto. O meu tempo também não é ilimitado, tenho responsabilidades e obrigações, mas a maneira como o organizo determina aquilo que valorizo. Caso contrário, pagarei as devidas consequências, hoje e no futuro. Informação e organização, o duo maravilha. E não sermos demasiado duros nem nos levarmos demasiado a sério ajuda também a que cheguemos ao fim do dia um nadinha menos neuróticos.

Hoje a Joana do Entre Tachos e Sabores traz-nos uma lição nesse sentido. Quando sentiu a sua saúde fraquejar, em vez de enveredar pelo caminho mais fácil, optou por se informar. E foi aí que começou a sua mudança. Com isto não quer dizer que não tenha consultado médicos e feito os exames requeridos. Acho que este é um princípio básico para qualquer terapia, recorrer aos profissionais adequados. Mas ao mesmo tempo em que recorria à medicina, a Joana também procurou informar-se, tendo adoptado consequentemente uma perspectiva da vida mais integral, em alguns aspectos oposta à que lhe estava a ser fornecida. Ao percorrer esse caminho a sua vida alterou-se para melhor porque olhou para o problema não se focando apenas no sintoma, mas na rede de causas que contribuem para um estado de doença.

Por isso, se se identificam com a história da Joana - eu sei que sim, e não apenas na parte dos gatos - e acreditam que a alimentação é um dos pilares importantes para termos uma vida mais equilibrada, natural e informada, passem pelo Entre Tachos e Sabores e deliciem-se com estas trufas de cacau e amendoim, ideais para um snack da tarde, especialmente indicadas para quem tem vidas atarefadas e quer o máximo de nutrientes no mínimo de espaço. 


Se quiserem também participar neste desafio poderão fazê-lo. Enviem-me um email para lim.edition2012@gmail.com e guardo-vos um espaço no calendário. Se reproduzirem nas vossas cozinhas alguma das propostas aqui apresentadas, utilizem o #desafioreceitasaudável e partilhem connosco as vossas versões e interpretações para que todos possamos contribuir para um estilo de vida mais saudável que passa pela comida, mas não se esgota nela.


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Wednesday, 8 February 2017

Um ramen especial #2.


Existem tantas maneiras de mantermos uma relação pouco saudável com a comida. Restrições calóricas exageradas. Eliminação de alimentos que consideramos nocivos ou sujos. Abuso de alimentos processados e vazios do ponto de vista nutricional. Comer com os cotovelos em cima da mesa.

Numa busca por uma alimentação saudável acabamos por falar muito mais do que nos faz mal do que daquilo que nos faz bem. Esquecemo-nos frequentemente como nutrir é mais do que enfiar comida na boca. Valorizamos super alimentos e esquecemos o conforto da comida caseira, preparada com amor e cujo principal objectivo passa por mostrar como alguém pensou em nós, no nosso conforto e no nosso bem estar enquanto a preparava. Esquecemos também como a comida pode ser a diferença entre manter a memória de alguém presente na nossa vida ou deixá-la seguir o seu caminho. 

Eu acredito que a função da alimentação é muito superior à contagem de nutrientes e de calorias. Acredito nos laços que nos unem quando nos sentamos à mesa, celebrando mais um aniversário ou recordando quem pouco tempo antes também se sentava ao nosso lado. Sei a falta que faz pôr menos um prato na mesa para partilhar uma refeição e as maneiras criativas que arranjamos para que essa ausência seja cada vez mais suportável. 

Podem chamar-me tendenciosa, mas para mim uma relação positiva com a comida é muito isto que a Susana hoje nos traz. É como a minha Avó dizia, uma pessoa só parte verdadeiramente quando nos esquecemos dela. Em cada receita nova que experimentamos e gostaríamos de lhes dar a provar, em cada restaurante que abriu e onde gostaríamos de os levar a jantar, carregamos a sua presença connosco. Acredito que essas lembranças não sejam propositadas nem dolorosas. São visitas de quem verdadeiramente nunca partiu e que sempre nos acompanhará. E enquanto houver comida, preparada com amor, destinada a nutrir e a fazer bem, nunca estaremos sozinhas.

A primeira participação no #desafioreceitasaudavel é este ramen especial e pode ser vista aqui, no Basta Cheio da Susana.


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Friday, 3 February 2017

Saúde no prato e uns hambúrgueres de feijão e quinoa #1.



Tal como combinado, sai hoje a primeira receita da segunda edição do #desafioreceitasaudável. Após vos ter explicado os meus 10 mandamentos para uma vida mais saudável e o regulamento desta edição (só regras, só regras, eu sei, pareço a minha professora da primária, uma freira sisuda, a ensinar adições e subtracções junto ao quadro como uma sombra sobre os meus primeiros cálculos...), sai hoje a primeira contribuição: uma receita de hambúrgueres de feijão e quinoa.

Para a semana a convidada é a simpática Susana do blogue Basta Cheio, umas das mais motivadas impulsionadoras desta segunda edição. Marcamos encontro aqui na próxima quarta feira às oito e meia da manhã para que vos apresente a receita convidada e depois poderão seguir para o espaço da Susana, onde são todos muito bem vindos, para conhecerem em pormenor a receita que nos traz para este desafio.

And without further ado... 

Vamos então à minha receita?!

Quando olho para estes hambúrgueres não há como não me lembrar do mercado biológico do Campo Pequeno, onde quase todos os sábados vou abastecer-me. Levo o marido, ele leva o Expresso  e senta-se no café enquanto eu serpenteio por entre as bancas, escolhendo os melhores ingredientes. Quando termino chego ao pé dele carregada até às orelhas e voltamos alegremente para casa. Já faz parte da nossa rotina e, apesar da distância de segurança dos legumes a que ele se mantém, não deixa de ser tempo que é simultaneamente nosso e de cada um.

No mercado compro sempre as minhas leguminosas a uma senhora que além de feijão e grão a granel, vende alguns legumes e frutas da sua horta. Está sempre acompanhada de um rapaz mais novo, talvez o neto, que a ajuda nas contas. Ainda não me deu para enfiar a mão nos sacos de serapilheira como a Amélie Poulain, mas não deve faltar muito. Vou intercalando os feijões que trago para casa - ou grão, ou tremoços, ou chícharos... - e só lamento não ter mais variedades na sua oferta, senão mais seriam as que traria para experimentar.

Quando olho para estes hambúrgueres e penso em como à partida parecem complicados para alguns, sendo no entanto tão simples para outros, lembro-me como em tempos uma alimentação livre de ingredientes de origem animal era para mim também intrincada, senão impossível. Actualmente a grande maioria das minhas refeições tem por base feijão e cereais como esta e são bem mais fáceis de fazer do que se poderia pensar. No fundo é só saber ligar texturas e sabores, enfiar as mãos na massa, aceitar algumas derrotas e tiros ao lado e tentar outra vez. Eu sei que a quinoa tem sido alvo de algumas críticas, visto que a sua entrada intempestiva como superalimento no mundo da nutrição ocasionou problemas ecológicos, mas por isso mesmo é que é utilizada cá em casa alternando com outros cereais. O exagero é que é o problema, sempre. Aliás, em qualquer alimentação equilibrada deve haver rotatividade dos ingredientes para garantir que consumamos uma alimentação rica e nutritiva. A quinoa, pelo seu perfil nutricional elevado, é uma dessas excepções, e se combinada com o feijão, dificilmente se encontra competição para estes hambúrgueres.

Fazer esta receita obriga a organização, acima de tudo. Os feijão devem ser demolhados, a quinoa também. Cozinha-se em quantidade para garantir que naqueles dias em que não estamos aí virados, temos sempre uma alternativa pronta a grelhar no congelador. Antecipando o antes e o depois não há como falhar numa alimentação natural, saborosa, nutritiva, equilibrada e saudável. Espero que todos guardem um bocadinho no vosso fim de semana para começar a introduzir pequenas alterações que, com o tempo, vos levarão a grandes mudanças de consciência, como tem vindo a acontecer comigo. 


Hambúrgueres de Feijão e Quinoa


~ Ingredientes ~

receita inspirada no blogue The Simple Veganista

1/2 cup de quinoa branca cozida
2 cups de feijão catarino cozido
1 cebola roxa, picada
2 dentes de alho, picados
1 frasco de 350g de milho cozido, escorrido e passado por água
sumo de 1 limão pequeno
1 ovo de linhaça (1 colher de sopa de linhaça moída + 3 colheres de sopa de água)
1/2 cup de farinha de mandioca
1/2 de nozes, picadas grosseiramente
1/4 cup de salsa fresca, picada
gotas de tabasco a gosto
1 colher de chá de sal
1 colher de chá de paprika fumada
1 colher de chá de paprika picante

Previamente cozer a quinoa e o feijão. Reservar. Preparar o ovo de linhaça, deixando os ingredientes repousar cerca de 10m. Numa taça grande colocar o feijão e esmagá-lo grosseiramente. Juntar os restantes ingredientes (incluindo o "ovo") e levar ao frigorífico cerca de 30m para que seja mais fácil moldar os hambúrgueres.
Ligar o forno nos 180º. Preparar um tabuleiro grande com uma folha de papel vegetal. Moldar os hambúrgueres (cerca de 8 grandes) e levar ao forno 40m, virando a meio para que assem uniformemente.

Tempo de preparação: 60m
Dificuldade: médio
Serve 8





Se quiserem também participar neste desafio poderão fazê-lo. Enviem-me um email para lim.edition2012@gmail.com e guardo-vos um espaço no calendário. Se reproduzirem nas vossas cozinhas alguma das propostas aqui apresentadas, utilizem o #desafioreceitasaudável e partilhem connosco as vossas versões e interpretações para que todos possamos contribuir para um estilo de vida mais saudável que passa pela comida, mas não se esgota nela.


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Wednesday, 1 February 2017

A segunda edição do desafio receita saudável!



Há uns dias atrás lancei o repto e fiquei muito contente com a vossa adesão! Vamos então dar início a mais um #desafioreceitasaudável!! Fico tão contente quando vejo pessoas motivadas para um estilo de vida mais saudável e equilibrado, mas que também se preocupam em partilhar com os outros o que as faz sentir bem, que escrevi tanto e vou publicar isto em duas partes. 

Hoje vou explicar-vos quais as regras que sigo para tentar ter uma vida mais saudável, regras essas que se aplicam não apenas à minha alimentação, mas de um modo mais geral. Estes são os meus princípios, os vossos podem ser diferentes.

Depois de uma longa ponderação sobre qual a melhor maneira de vos transmitir o que considero ser mais importante, resumi-o em 10 pontos essenciais, os quais passo a explicar de seguida. Sabem que a brevidade não é uma das minhas principais qualidades - eu culpo os meus pais! - por isso respirem fundo e tentem acompanhar-me enquanto me alongo sobre cada um dos tópicos acima. Se estes vos inspirarem nas vossas participações no desafio, fico muito feliz. Expliquem-me como é que o ponto 1, 5 ou 7 se aplica na vossa vida, como se relaciona com um episódio da vossa história de vida ou como vos levou a reflectir sobre mudanças que gostariam de implementar daqui em diante.

Outra coisa, o facto do texto estar sob a forma de lista também ajuda a que, caso alguém queira copiar as minhas ideias e chamá-las de suas, consiga orientar-se melhor no texto. No fundo, o meu objectivo é ajudar-vos e inspirar-vos. 

Vamos então a isto!


1. INFORMAÇÃO: Para mim, que leio tudo o que me passa à frente com avidez, desde livros a ebooks, passando pela internet inteira antes de adormecer ao rótulo da pasta de dentes, informação é poder e jamais poderia outra atitude ocupar o lugar cimeiro desta lista de "10 mandamentos para uma vida (relativamente mais) saudável". Se acompanham o facebook do blogue sabem que partilho com frequência artigos informativos e de opinião sobre alguns temas que aparecem com maior destaque aqui debatidos: alimentação, nutrição, exercício físico... Isto porque antes de tomar qualquer decisão, eu informo-me. Participo em grupos onde são debatidas ideias (por vezes com alguma violência desnecessária...) e onde aprendo bastante. Inscrevo-me em workshops para actualizar os meus conhecimentos e aprender novas técnicas. Além do que leio, vejo documentários, excepto aqueles em que os animais são chacinados em matadouros e eteceras porque esse tipo de imagens me causam tantos pesadelos como o "Blair Witch Project". Isso não significa, porém, que não saiba exactamente o que lá dentro se passa nem que seja "daquelas que preferem não saber", como uma vez uma certa pessoa que lê este blogue me acusou de ser. Todas as alterações que faço são precedidas de pesquisa e recolha de informação, as receitas são testadas e só depois de passarem pelo meu exigente crivo são aqui publicadas. As alterações que faço na minha vida são postas à prova no meu dia a dia, não correspondem a um estilo de vida ideal que projecto como sendo o meu, mas que na realidade não corresponde à verdade. E uma vez bem justificada cada uma destas decisões, é impossível voltar atrás. Como sabem, informação é poder. Não deixem que ninguém decida por vocês.



2. CONSCIÊNCIA: Esta é mais recente e surgiu no seguimento da prática da meditação que iniciei há uns meses atrás. Eu sou daquelas pessoas que medita nos dias úteis. Não sei se estão familiarizados com o conceito, mas provavelmente não porque acabei de cunhá-lo. Basicamente de segunda a sexta esforço-me por incorporar 20 minutos de meditação na minha agenda - literalmente, eu coloco a meditação na minha lista de to-dos e obrigo-me a fazê-la mesmo naqueles dias em que me apetece tudo menos inspirar, expirar and let it go. Sábado e domingo descanso. E como a prática faz o monge, sendo que o senhor que me guia a meditação é mesmo ele um monge budista, esta regularidade permite que pequenas alterações sejam praticadas nos 20 minutos que dura a meditação e depois incorporadas no dia a dia. Assim, o despertar da consciência (esta afirmação não é nada new age... qualquer dia estou a reciclar as sandálias, como diz o meu marido...) que é treinado naqueles minutos é depois também extrapolado para outras áreas da minha vida e consequentemente incorporado. Assim, uma maior consciência em relação a tudo o que me rodeia permite que as escolhas que faço, na alimentação e não só, sejam posteriormente devidamente assimiladas. Estas podem não ser as escolhas que concordam com o vosso estilo de vida, mas são aquelas que mais sentido fazem para mim.



3. MENOS É MAIS: Um dos blogues que mais gosto de ler e do qual já partilhei alguns artigos no facebook é o No Meat Athlete. Acho que o título é auto-explicativo... O Matt Frazier já correu uma série de maratonas e ultramaratonas, o que só de pensar na ideia já me deixa cansada. No artigo The secret to healthy, stress free eating, ele explica como durante o seu book tour descobriu que comer de uma maneira saudável é muito mais fácil do que supunha. Alimentando-se essencialmente de bens não perecíveis (fruta e vegetais frescos, húmus, smoothies...) durante uma altura muito caótica da sua vida, chegou à conclusão que refeições super elaboradas e dispendiosas não são o segredo para uma alimentação nem vida saudável (lá está, adição de stress desnecessário = menos saúde...), mas que menos é mais. Esta sua abordagem minimalista acabou por reduzir o tempo que passa na cozinha (o surgimento de duas crianças pequenas na sua vida também...) e levou-o a reduzir a preparação das refeições ao mínimo possível, com o máximo proveito: "Fruits. Vegetables. Beans. Raw nuts and seeds. Whole grains. And little or no added oils." Ainda estou a trabalhar para chegar a este ponto, mas acredito que seja problema meu e não da ideia em si. Quanto mais gosto de pesquisar sobre comida saudável, mais ingredientes e receitas diferentes pretendo experimentar. Cada vez me dá mais prazer cozinhar porque o faço com um propósito definido. Mas a base, essa, é a que o Matt aponta como a fórmula ideal para nos alimentarmos. E se um super atleta vive bem com o essencial, andamos nós a inventar tanto porquê?


4. QUANTO MAIS NATURAL, MELHOR: Bom, esta é dolorosa de explicar. Quem teve a infeliz ideia de enfiar comida em caixas e começar a criar listas de ingredientes, não poderia querer o nosso bem. Alimentos processados que destroem o nosso microbioma, que basicamente nos adoecem a cada garfada... A minha sugestão é esta: sábado de manhã peguem em vocês, no marido sonolento e nas crianças, levem-nas a passear ao mercado biológico. Comprem directamente aos produtores, aqueles que deram às galinhas que põem os melhores ovos um autocarro da escola para viverem à vontade, que conhecem a história do cultivo dos feijões que vocês levam a granel para casa, que explicam que as cerejas este ano vieram todas bichadas e por isso passaram a noite a catá-las para trazer apenas as melhores... É preciso dizer mais ou a partir daqui continuam vocês?...

5. CORPO E MENTE: Aqui vai uma lição de História. Era uma vez um senhor chamado René Descartes que há muitos e muitos anos atrás se enganou quando separou o corpo da mente e a partir daí tudo o que se seguiu veio enviesado. Graças a Deus (perceberam a piada?) muito tempo depois o português António Damásio editou um livro (e depois outro e mais outro) onde corrigiu esse filósofo: corpo e mente foram criados em conjunto e interferem nos processos um do outro. As neurociências vieram confirmar o que os antropólogos já discutem há algum tempo e não há maneira de ninguém me convencer que o dualismo corpo/mente traga algo de positivo. Chamem-lhe um gut feeling.

6. ORGANIZAÇÃO: Vamos voltar uns pontos atrás. Recolhida a informação, os ingredientes naturais e fazendo tudo em consciência, precisamos de tempo para nos organizar. É como diz a minha querida Bela Gil: "Arranje tempo para se envolver no processo de cozinhar, prioritize a sua saúde e um futuro tranquilo." Acho que quem nos pôs a comida em caixas já sabia que andamos todos um bocado à toa nesta vida e no fundo estava cheio de boas intenções: só nos quis facilitar, mas já se sabe do que o inferno está cheio... Sabem os blogues da Joana Roque, Para cozinhar e A economia cá de casa - dos meus favoritos e que sigo desde os tempos do ADSL - onde ela sempre promoveu a importância de cozinharmos em casa, em que a organização é a chave e blá blá blá... Pronto, uma vez apanhei uma discussão qualquer em que lhe atiravam à cara que ela tinha era muito tempo livre e devia pensar que toda a gente era como ela... Enfim, a crème de la crème do mundo dos comentários anónimos nesta era em que as pessoas se escondem atrás dos seus ecrãs para desbaratar. Como é óbvio que a senhora tem mais o que fazer do que cozinhar, tomar conta de uma casa, desenvolver o seu negócio na internet e tomar conta de filhos, como isso fosse pêra doce. Penso que estes são empregos que chegam. Porém, ela claramente sempre deu prioridade no seu tempo ao que considera importante e fez isso com base em organização. E para a Joana Roque importante é ter a casa organizada, a família bem nutrida e tudo o resto vem a seguir. Cá em casa, onde se comem leguminosas e cereais com fartura, há que haver organização nas demolhas e nas quantidades que depois se cozinham e congelam. Fazemos de uma alimentação saudável uma das prioridades cá em casa e o resto vem depois. Se não têm tempo para isso... bom, arranjem-no. A minha caixa de comentários está aberta para os vossos disparates. Mentira, os comentários estão moderados que eu tenho mais o que fazer do que educar infantes.

7. CADA CASO É UM CASO: Sabem aquela fórmula perfeita de saúde que nos vendem como se uma alimentação saudável fosse uma coisa e só uma? Bom, é mentira. Eu acredito que cada um de nós tem a sua fórmula e gosto de pensar que, se não fizer mais nada de útil com este blogue, que vos inspire a procurar e a encontrar a vossa fórmula. Há princípios gerais, claro, mas cada um de nós deve saber como é que estes se incluem nos seus objectivos e estilo de vida. Tentar seguir cega e acriticamente um modelo que julgamos perfeito (selfies no ginásio, treinar 20 vezes por semana, comer só alimentos "do bem" e publicar fotos tiradas apenas em restaurantes de comida saudável...) não abona em nada a favor da nossa saúde. Sugiro que se informem, organizem e defendam a vossa interpretação de vida/alimentação saudável com unhas e dentes. E se vos chamarem de gordas, comam-nos a eles também.

8. SABER DIZER NÃO: Esta não se aplica tanto à alimentação, não quero criar a ideia de que há alimentos pecaminosos (já falámos disto aqui várias vezes, pesquisem). Comida suja é a que cai ao chão. Mas se tiverem fome, sacudam que a regra dos 3 segundos ainda se aplica depois de saírem da primária. Aqui referia-me a todos aqueles momentos em que mordemos a língua e optamos por evitar dizer "não". Isso obriga-nos a viver e reviver situações com as quais não nos identificamos, que nos humilham e degradam. Relações, trabalhos, compromissos que se arrastam quando no fundo já sabíamos que o caminho era outro que não aquele. Situações que empurram uma vida saudável e equilibrada anos para a frente do que o que desejaríamos. Não é porque algo se assumiu como autoritário (como por exemplo acharem que precisam de comer carne para viver porque foi assim que foram educados...) que, se em vocês acharem que não é o correcto, devem continuar a fazê-lo. Se não me engano foi José Saramago que disse:




9. FLEXIBILIDADE: O melhor das regras? Poder quebrá-las. Eu tento ser o mais organizada possível, mas se às vezes as coisas descambam, não me faz muito sentido martirizar-me perpetuamente porque falhei. Acredito que se em 80% do meu tempo e esforço estiver focada, já é muito bom. Tudo o resto vem por acréscimo e faz-me mais sentido ter uma alimentação e um estilo de vida que me permita ajustar, aproveitar o momento e umas bolachinhas. Caso contrário, que sentido faz tudo isto?

10. MENOS DESPERDÍCIO: A praga dos frasquinhos cá de casa, como o meu marido lhe chama, começa finalmente a dar frutos. Já há cada vez mais sítios onde podem comprar levando os vossos próprios recipientes, como a Maria a Granel, por exemplo. Já sabemos que a solução não passa por reciclar, é importante reduzir e muito o nosso lixo. Aproveitar as cascas dos legumes para fazer caldos, as sementes para snacksutilizar ingredientes que compramos não apenas na cozinha, carregar connosco sempre um saco para evitarmos recorrer aos de plástico vendidos nas lojas... O segredo é a sustentabilidade, criar um futuro com que nos identifiquemos e que nos comprometa com a ideia de que este planeta não é nosso para o usarmos e deitarmos fora, tem de ser respeitado. Ainda para mais  agora que as alterações climáticas passaram de facto a mito, mais sentido faz sentido cada um dos nosso actos individuais. Para mais dicas essenciais, consultem o blogue da Ana, Go Slowly

E como a conversa já vai longa, a minha receita com a aplicação prática do que acima foi tratado sai daqui a dois duas no blogue. Entretanto espero que esta minha não-tão-breve explicação vos inspire e que se inscrevam também no desafio para que possamos todos aprender uns com os outros. Enviem um email para lim.edition2012@gmail.com ou deixem um comentário nesta publicação.

Até já!!



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Friday, 27 January 2017

Cuidar por dentro e por fora e uma whipped body butter.




Há uns tempos deparei-me com uma imagem no facebook que me despertou a atenção, na qual a autora mostrava todos os produtos tóxicos de que se livrara nos últimos anos. Porém o que me escandalizou não foi estar perante um conjunto de itens marcados com o famoso símbolo da caveira. Tratavam-se de detergentes para a casa, cosméticos, produtos para a higiene e cuidado do corpo. Lembro-me que se incluíam também frigideiras anti-aderentes e que a colecção díspar me pareceu caricata e, honestamente, exagerada. Como diria o meu irmão, “estes eco-bacanos são malucos”.

Entretanto o tempo passou e, voluntariamente ou não, fui tendo contacto com mais informação sobre os produtos que adquiro cá para casa e a reflectir naquela fotografia. Termos e valores que na altura me eram estranhos começaram a informar as minhas escolhas, baseadas num consumo consciente. Comecei a ler listas de rótulos - nomes estranhíssimos! - e a assustar-me com potenciais efeitos que estes poderiam ter na minha saúde. Comecei a ficar confusa! Se a ignorância é uma benção, o excesso de informação também não facilita. 

Quase como na fotografia que em tempos desdenhara, a minha casa foi-se libertando de produtos que outrora considerei seguros. Comecei nos detergentes, uma vez que a pele é o nosso maior órgão e a roupa está permanentemente em contacto com ela. Foi por esta altura que conheci a Origami Kids, uma empresa vocacionada para bebés e crianças, responsável pela venda online de diversos produtos cuidadosamente seleccionados. O que me chamou a atenção não foi propriamente o facto de estar enquadrada no nicho para o qual esta empresa se orienta - não há por cá bebés, ainda! -, mas pela maneira directa e esclarecedora com que apresentam a sua oferta. Desde informação sobre ingredientes nocivos a evitar na escolha dos detergentes da roupa, a artigos sobre a constituição do gel de banho, passando pela motivação que levou estes dois médicos a criar a Origami Kids. Comecei a sentir que tinha ao meu alcance o poder para fazer escolhas reflectidas e, a partir do momento em que comecei a adquirir alguns dos seus produtos, sei que dificilmente voltarei aos que habitualmente comprava.

Depois dos detergentes a minha atenção virou-se para os cosméticos. Ao fim e ao cabo, estes também se encontram em contacto permanente com a minha pele e são constantemente absorvidos por ela. Para saberem um pouco mais sobre a história dos cosméticos e as políticas que encaminham um produto do laboratório até ao consumidor, convido-vos a assistir a este vídeo.

Porém ainda não me sentia completamente satisfeita. Se nutro o meu corpo com o que como, então não vejo razão para não aplicar a mesma máxima ao que aplico na pele. E foi assim que me aventurei a fazer os meus primeiros produtos com ingredientes existentes cá em casa.

Trago-vos assim uma receita de whipped body butter à base de óleo de côco. Esta pode ser confeccionada com produtos facilmente acessíveis, como é o caso do óleo de amêndoas doces, o óleo de argão e o extracto da árvore do chá. Combinados estes ingredientes conseguimos retirar o máximo das suas propriedades anti-inflamatórias, anti-bacterianas, cicatrizantes e regeneradoras num suave creme apto para o corpo, lábios, pés e mãos secas.

E não se esqueçam, menos é mais!


Whipped Body Butter


1 cup de óleo de côco (frio, em estado sólido)
1 colher de chá de óleo de amêndoas doces
1 colher de chá de óleo de argão
2 gotas de óleo essencial de extracto de árvore do chá

Colocar todos os ingredientes (de preferência biológicos) numa batedeira de culinária. Misturá-los em potência alta por um minuto. Guardar num frasco (não necessita de frio).

Sugestão de utilização: para quem tem mãos muito secas, aplicar o creme à noite e dormir com umas luvas velhas calçadas. Retirar de manhã.


Este artigo surgiu em primeiro lugar no site A Montra, com o qual colaboro.


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Friday, 20 January 2017

Correr à chuva e uma sopa doce para aquecer.



Sejamos realistas, está um frio do caraças. É nestas alturas que dou graças pelo ar condicionado que mandámos instalar cá em casa, pelas botijas de água quente e pelo calor dos gatos no meu colo. Vou ser-vos sincera, eu adoro o frio quase tanto quanto odeio o calor. As canecas de chá quentes nas mãos. Os sobretudos e os cachecóis. Os gorros a tapar as orelhas. As sopas e os ensopados. E se os dias de frio vierem acompanhados deste sol magnífico que banha Lisboa, melhor ainda. Podemos dar longos passeios que nos permitem aquecer corpo e alma. 

Humidade é que dispenso. Parece que esta se entranha no bom humor das pessoas. Há inevitavelmente mais trânsito, acidentes e falta de paciência. Ou muito me engano ou em dias de chuva registam-se mais ataques cardíacos. O cinzento da atmosfera imiscui-se nas células e corre pela linfa destes seres humanos tão desenraizados do seu meio natural. Escondem-se nas suas casas, escritórios, automóveis. Não sabem dançar na chuva. Ou correr, como me aconteceu uma vez em que caiu uma carga de água durante uma das minhas corridas matinais e cheguei a casa com roupa e alma a pingar, mas revigorada. Nas ruas trotei rapidamente por indivíduos espantados e resguardados em toldos que os protegiam da chuva enquanto eu seguia o meu caminho, fresca como uma alface à chuva. Muito bom, recomendo. 

Se forem dos que preferem ficar por casa em dias de chuva - eu também prefiro, não vou ser tola e garantir-vos que aos primeiros pingos calço os ténis e saio a correr como uma gazela -, sugiro que experimentem esta receita. Adoro assar os legumes antes de os usar na sopa. O seu sabor fica acentuado, a sopa muito mais cremosa e, com o tempero adequado, não há mesmo como falhar. Desta vez quis experimentar uma mistura de especiarias que andava desejosa de usar desde o Halloween, quando um amigo americano me trouxe allspice dos Estados Unidos. Eu sou daquelas pessoas sem lata nenhuma que quando alguém vai viajar pede especiarias ou qualquer outro ingrediente para testar receitas. Uma vez levei com um "eu depois levo-te ao Martim Moniz" de um colega que esteve na Índia, mas fora isso tem corrido bem e viajo um pouco com eles sempre que me trazem algo para experimentar.

Para além do sabor adocicado e apimentado que esta mistura de especiarias confere à sopa e que fica absolutamente divinal (quem é esperta em usar os temperos das tartes na sopa, quem é? ahá!), não desperdicem as pevides da abóbora. Estas são muito nutritivas e não merecem acabar no caixote do lixo. Podem ser salpicadas nos pratos desta sopa ainda quente ou guardados para um snack saciante a qualquer hora do dia. E, como sempre, variando nos temperos, obtêm resultados surpreendentes. 

Se quiserem podem também consultar esta receita no site Nutrição Feminina.

Pumpkin Pie Soup


~ Ingredientes ~

240 cebola, descascada e cortada em gomos
200g de nabo, descascado e cortado em gomos
190g de chuchu, descascado e cortado em gomos
800g de abóbora butternut, descascada e cortada em gomos (reservar as sementes)
4 colheres de sopa de azeite
1 colher de café de sal
1/2 colher de sopa de pumpkin pie spice*

Ligar o forno nos 180º. Colocar todos os ingredientes num pirex, envolver bem nas especiarias e azeite e levar a assar cerca de uma hora. Lavar bem as sementes da abóbora e secá-las com um papel de cozinha. Colocá-las num tabuleiro largo de forno sobre papel vegetal, temperar com uma pitada de sal e pimenta preta e um fio de azeite. Assar na parte debaixo do forno até que estejam estaladiças.  Reservar e guardar num frasco bem fechado quando arrefecerem para outras utilizações. Retirar os legumes da sopa do forno e colocá-los numa panela grande. Ferver água (uso um fervedor elétrico) e colocá-la na panela, tapando os ingredientes. Deixar que ferva novamente e desligar o lume. Passar com uma varinha mágica, rectificar temperos e acrescentar mais água a ferver se necessário. Ao servir polvilhar com as sementes de abóbora crocantes.


*Mistura de especiarias adaptada do site Betty Crocker

3 colheres de sopa de canela moída
2 colheres de chá de gengibre moído
2 colheres de chá de noz moscada moída
1 colher de chá de cravinho (reduzi a dose recomendada porque não sou fã do sabor do cravinho, embora na mistura passe despercebido)
1 1/2 colher de chá de allspice moído (para quem não costuma ter esta especiaria em casa e não conseguir encontrá-la à venda - sugiro lojas de produtos importados, como a Glood - pode omitir da mistura ou adaptá-la como sugere esta receita, que basicamente reforça as quantidades das outra especiarias já presentes)

Tempo de preparação: 90m
Dificuldade: médio
Serve 8

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Tuesday, 10 January 2017

Desafio receita saudável 2.




Daqui a pouco tempo celebramos o terceiro aniversário do primeiro Desafio Receita Saudável e não há maneira melhor do que revivermos as alegrias que este passatempo nos trouxe do que realizando outro, não vos parece?!

Porém, desde Abril de 2014 que muita coisa mudou e este desafio vai reflectir precisamente essa mudança. Para já vamos tornar a definição de "saudável" num conceito mais abrangente, já que este não é uma camisola tamanho único tipo "one size fits all". O que eu considero saudável pode não ser o que a vizinha do lado valoriza. Primeiro somos pessoas diferentes, com diferentes organismos que reagem de maneiras distintas aos estímulos, sejam eles físicos ou psicológicos. Depois, há um grande grau de subjectividade no que eu considero que me faz bem a mim e no que ela valoriza por seu lado. Para mim evitar o consumo de carne pode ter consequências extremamente benéficas - sinto-me mais leve, com mais energia, a minha consciência fica mais tranquila sabendo que me estou a abstrair de causar sofrimento aos animais e isso reflecte-se na maneira como encaro aquela refeição... -, mas para ela estar um mês sem tocar em álcool pode ser a resposta para reajustar as suas prioridades. Há quem jure a pés juntos que os sumos verdes lhe dão energia, já eu tenho em consideração algumas regras antes de preparar um smoothie, senão já sei que a coisa corre mal. Há um sem fim de variações e de interpretações consoante as características fisiológicas de cada um e a nossa história individual, mas há também constantes que podemos identificar que, apesar das variações, não retiram a especificidade de cada experiência.

Quero que atentem bem numa premissa para este desafio. O objectivo não passa por criar uma parada de receitas sem açúcar, sem glúten, sem ingredientes de origem animal, mas se a vossa noção de saudável passar por isso, tudo certo por mim. Justifiquem-no com uma história, um apontamento divertido. Ou então contem-me como um bolo tradicional, uma receita de família que aprenderam a fazer na cozinha das vossas avós, vos faz sentir feliz. E se essa receita levar farinha e açúcar branco? Bom, não é de todo o ideal, mas certamente que uma fatia não fará mal. E as memórias que esta vos traz... não há quilos de farinha integral no mundo que substituam as saudades que eu tenho de fazer bolos com a minha Avó, de ver as suas mãos cheias de rugas ensinar-me com amor como se alimenta e constrói uma família. 

Vamos reflectir de uma maneira consciente no que nos nutre, corpo e mente. Vamos saborear e agradecer cada uma das receitas que trouxerem para a segunda edição deste desafio relacionando com o modo como cada um, à sua maneira única, individual e particular se alimenta de uma maneira saudável. Não quero que façam uma receita de propósito com ingredientes XPTO para deixar todos os restantes participantes de boca aberta. Para mim, menos é mais. Às vezes complicamos muito e deixamos que alguma ansiedade desnecessária entre nas nossas cozinhas e já se sabe - isso não é nada saudável. Mas se me explicarem como é que um investimento num pacote de maca ou açaí vos faz sentir mais conectados com a vossa saúde, encantada. 

Peço-vos apenas que fujam de ingredientes demasiado processados e gorduras hidrogenadas. O açúcar também é secundário, se conseguirem encontrar alternativas mais saudáveis. É que ninguém precisa disso, não alimenta verdadeiramente e deixa-nos a todos cheios, pesados e maldispostos. Em última instância retira-nos qualidade de vida e não nos nutre nem por fora, nem por dentro. 

Por outro lado, há tantas atitudes e ingredientes que correm a internet e são apresentados como saudáveis dos quais eu fujo a pés juntos que gostava muito de conhecer o que é que para cada um de vós é positivo. Será que contar calorias, viver em restrição, exagerar no exercício físico e fugir de tudo o que possa ser considerado "pouco saudável" é a solução? Inspirem-se num hábito alimentar recentemente adquirido e que vos faz olhar para a alimentação - ou para a vida no geral - de maneira mais positiva. Como, por exemplo, acordar mais cedo para poder ter tempo de fazer umas deliciosas panquecas ou tomar o pequeno almoço sem pressas. Começaram a correr e descobriram que alimentos melhoram a vossa performance? Decidiram plantar a vossa horta na varanda e gostariam de me mostrar a primeira receita com uns débeis pimentos da primeira colheita que vos deixam super orgulhosos? E em que maneira é que esse comportamento pode ser considerado saudável? Como é que a procura por uma alimentação consciente impactou a vossa rotina diária? Alinham em dietas ou preferem investir na reeducação alimentar? Têm um blogue mas nunca se aventuraram a publicar uma receita? Participem! Contem-me tudo!!

Como podem ver, há 1001 maneiras de abordar este desafio. Sejam criativos e inspirem-se na edição anterior quando enviarem as vossas participações. O desafio começa a 1 de Fevereiro com a minha participação (e a minha noção de saudável) e já temos inscrições até Março, sendo que sai uma receita a cada quarta feira: a introdução aqui, a receita e a respectiva história no blogue convidado. No entanto se quiserem participar ainda vão a tempo! Enviem um email para lim.edition2012@gmail.com ou deixem um comentário em baixo para vos informar do calendário ou para tirar dúvidas. Podem participar com o vosso blogue, em nome individual, com a vossa conta de instagram... Partilhem esta publicação para reunirmos o máximo de interessados em participar e podermos todos aprender uns com os outros.

Tal como na primeira edição, não há vencedores nem vencidos, não há prémios em parceria com patrocinadores nem obrigação de fazerem like seja onde for. Vamos conduzir este desafio numa lógica de economia de partilha, em que cada um participa com o seu conhecimento e ganhamos todos com isso. Uma espécie de Uber das saladas, se preferirem. 

Então, estão todos a postos?!





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